Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Opinadela: A verdade do meu 25 de abril

- «Onde estavas no 25 de abril de 1974?» - poderiam perguntar-me. E sendo necessário responder diria:

Depende da crença de cada um. Estaria no lugar onde as almas se encontram à espera de um corpo, ou no reino das cegonhas à espera da hora da entrega, ou nos gâmetas dos meus progenitores, ou quem sabe em nenhum destes e noutro lugar qualquer. O que é certo é que nasci uma década depois.

E esta é a primeira premissa da minha opinião sobre o 25 de abril de 1974 – não respirava, ainda, o ar terrestre. Nem vivi nos tempos anteriores nem nos tempos imediatos à revolução. A minha família também não se encontrava em Portugal, tendo regressado apenas em 1989.

A segunda premissa vem do ensino – sei apenas aquilo que me ensinaram. É um saber teórico, sem qualquer experiência empírica. Ensinaram-me as maldades do Estado Novo e a luta movida pela esperança dos militares numa nova democracia, numa nova liberdade.

Concluo, portanto, que o 25 de abril de 1974 é, para mim, tão importante como o 5 de outubro de 1143 ou o 17 de Maio de 1498 ou o 22 de abril de 1500. São datas históricas para Portugal, tendo marcado a sua independência, a sua expansão e ascensão mundial e a sua democracia e liberdade. Consequentemente, - para além dos factos históricos – marcam a minha vida, formataram a sociedade na qual me insiro e permitem a afirmação da minha cidadania tal como é. Por esse motivo, são acontecimentos cuja importância deverá estar sempre presente nos espíritos portugueses.

Mas há bandeiras que de tanto se agitarem ficam gastas. A bandeira do 25 de abril que vejo invocada – quase diariamente – já está a ficar velhinha, carcomida mesmo. Se não se acautelarem (ou nos acautelarmos) a Revolução dos Cravos será algo cada vez mais distante, mais difícil de ser identificável pelas gerações (que como eu) não viveram os tempos da revolução.

Lembrem-se que – nós que não vivemos esses tempos – não vivemos o Estado Novo, não sentimos as diferenças que a Liberdade nos trouxe. Conhecemos apenas os valores que moveram os revolucionários e aqueles que se ofereceram para erguer o país numa nova democracia. Ouvimos falar das “coisas ruins” do passado: a pobreza, a censura, a limitação, as influências. Ouvimos falar dos discursos de libertação da democracia, da nova vida para os portugueses, da alegria de se ver retornada ao Povo a decisão sobre as res publicae.

Em nós – que apenas vivemos o tempo atual – cresce a dúvida sobre a tão aclamada revolução de quem todos parecem querer ser pais e defensores e apologistas e saudosistas. É que, hoje, continuamos a não ter plena liberdade, continuamos a ver casos de racismo, xenofobia e exclusão social, continuam a coexistir cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª, continuam os casos de corrupção, continuam os atentados à cidadania, assistimos à censura nos bastidores, vivemos o fosso entre os pobres e os ricos, temos falta de oportunidades e empregos, aderimos ao novo êxodo, duvidamos da legitimidade da autoridade e da eficácia da Justiça. Começamos a perder a nossa identidade como cidadãos de uma Pátria, de um República, de uma Democracia.

Perdoem-me por não ser hipócrita. Perdoem-me – se motivos para perdão houver – por acreditar que, no dia em que os últimos sobreviventes da Revolução desaparecerem, o 25 de abril será apenas mais uma data no calendário. Faça-se de cada dia, o Dia da Liberdade e da Democracia. E assim, talvez, os princípios fundamentais desse 25 de abril sobrevivam pelos séculos dos séculos.

 

 

Música: Ornatos Violeta – a minha banda portuguesa preferida

É sexta-feira! É o dia em que, normalmente, penso mais em música. E creio que tal seja motivado pelo facto de estar a terminar mais uma cansativa semana de trabalho e precisar de ir fazendo uma transição gradual para o fim-de-semana. Tal como ao domingo à noite começo a fazer a transição para a semana de trabalho – esforço que se costuma estender até à manhã da odiada segunda-feira.

Hoje lembrei que ainda não tinha escrito sobre Ornatos Violeta, a minha banda portuguesa preferida. ADORO ORNATOS VIOLETA!

A banda de Manel Cruz (vocalista, compositor e letrista), Nuno Prata (baixista), Peixe (guitarrista), Kinörm (baterista) e Elísio Donas (no teclado), criou algumas das músicas que mais me marcaram desde a minha adolescência – a banda esteve no ativo de 1991 a 2002.

Seja pelas letras, pela melodia ou pelos instrumentais, uma coisa é certa: NINGUÉM em Portugal lhes chega aos calcanhares. As suas músicas exprimiam os sentimentos do verdadeiro rock alternativo, da melancolia à fúria ou do amor ao desespero.

E são muitas as minhas músicas favoritas, entre elas A Dama do Sinal, Mata-me Outra Vez, Chaga, Dia Mau, Ouvi Dizer, Capitão Romance, O.M.E.M..

 

 

 

Conto: Jardim das Oliveiras

Chegado ao destino, estancou o passo. E fê-lo tão instantaneamente que quem seguia atrás teve de o fintar, acabando por lhe bater com a carteira.

- “Desculpe” – disse-lhe a rapariga.

- “Não faz mal, a culpa foi minha.” – replicou, sem olhar para ela e sem qualquer intenção na voz, uma vez que a sua preocupação era outra. 

Deixou-se ficar plantado no meio do caminho, naquele ponto em que todo o jardim o rodeava. Olhou em redor com a lentidão de quem usa mimicamente um periscópio para detetar um alvo minúsculo.

A esplanada ainda não está em funcionamento. Ótimo!

Muita gente, pouca relva, muito sol, muita sombra, crianças barulhentas, casais melosos.

Ali!

Detetou um espaço junto a uma oliveira. Sol de um lado, sombra do outro. Sem gente por perto. As folhas não se moviam freneticamente, pelo que não devia passar muito vento por ali. Aproximou-se do local, mas, no preciso instante em que se preparava para se sentar, o olho transmitiu rapidamente uma imagem ao cérebro que imediatamente paralisou a ação e o corpo.

Teia de aranha. Que nojo! – pensou, enquanto um arrepio lhe percorria o corpo. Quem o observasse, pensaria que estava a levar um choque elétrico.

 

 

 

 

Pág. 1/3

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D